renan riedel
pessoal / identidade / crenças
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Identidade

Crenças.

Crenças é o terceiro subtema da jornada de Gestão de Si, na trilha de Identidade. Este artigo define o que são (e o que não são) crenças, situa sua base conceitual na psicologia cognitiva, na autoeficácia e no viés de confirmação, diferencia crença de fato, de pensamento passageiro e de valor, descreve o ciclo de reforço entre crença, comportamento e resultado, apresenta as dificuldades mais comuns ao lidar com interpretações automáticas e propõe perguntas e atividades de diagnóstico para observar como as próprias crenças se manifestam no comportamento cotidiano, preparando a transição para a etapa seguinte da jornada, Princípios.

O que é?

Crenças são convicções ou representações que consideramos verdadeiras e utilizamos para interpretar a nós mesmos, outras pessoas, situações e acontecimentos.

Por que importa?

Imagine que recebo uma tarefa difícil.

Como aparece?

Imagine que acredito:

Ideia central

Crenças são interpretações que a pessoa trata como verdadeiras e que passam a orientar emoções, decisões, comportamentos e limites percebidos.

Depois de começar a compreender quem sou e reconhecer o que considero importante, surge uma terceira pergunta:

O que acredito ser verdadeiro sobre mim, sobre os outros e sobre o mundo?

Não reagimos apenas ao que acontece.

Reagimos também ao significado que atribuímos ao que acontece.

Imagine duas pessoas recebendo exatamente o mesmo feedback:

“Sua apresentação precisa ser mais objetiva.”

Uma pensa:

“Existe algo que posso melhorar.”

Outra:

“Não sou suficientemente competente.”

O acontecimento é semelhante.

A interpretação é diferente.

Essa interpretação pode alterar a emoção experimentada, a maneira como a pessoa responde ao feedback e aquilo que fará depois.

É nesse espaço entre o que acontece e o significado que atribuímos ao que acontece que encontramos as crenças.

Compreendê-las é importante porque algumas funcionam silenciosamente como regras.

  • Regras sobre aquilo que podemos fazer.
  • Sobre como devemos agir.
  • Sobre o que podemos esperar das pessoas.
  • Sobre o que significa errar, vencer, fracassar, confiar, descansar, pedir ajuda ou demonstrar vulnerabilidade.

Nem sempre percebemos essas regras.

Mas podemos perceber seus efeitos.

Provavelmente não penso:

“Tenho uma crença que preciso revisar.”

O que percebo são situações concretas:

  • “Sei que deveria delegar, mas prefiro fazer sozinho.”
  • “Tenho dificuldade para dizer não.”
  • “Preciso ter certeza antes de decidir.”
  • “Quando alguém me critica, parece que tudo o que fiz perdeu valor.”
  • “Tenho boas oportunidades, mas sempre acho que ainda não estou preparado.”
  • “Se eu diminuir o ritmo, tenho a sensação de que as coisas vão sair do controle.”
  • “Tenho dificuldade para confiar nas pessoas.”
  • “Preciso mostrar resultado o tempo inteiro.”
  • “Não quero decepcionar minha família.”
  • “Tenho medo de errar e parecer incompetente.”

À primeira vista, cada uma dessas situações parece representar um problema diferente.

  • Delegação.
  • Insegurança.
  • Perfeccionismo.
  • Necessidade de controle.
  • Dificuldade para estabelecer limites.
  • Medo de errar.

Mas existe uma pergunta anterior que pode ajudar a compreender o que está acontecendo:

O que preciso acreditar para agir dessa maneira?

Se tenho dificuldade para delegar, talvez exista uma crença como:

“Se eu não controlar, não será bem-feito.”

Se evito conflitos:

“Discordar pode colocar a relação em risco.”

Se preciso constantemente da aprovação das pessoas:

“Preciso ser reconhecido para saber que estou fazendo um bom trabalho.”

Se não consigo descansar:

“Meu valor depende daquilo que produzo.”

Isso não significa que toda dificuldade seja causada por uma crença.

Significa que, quando um comportamento se repete, vale investigar qual interpretação sobre mim, sobre os outros ou sobre o mundo torna esse comportamento coerente para mim.

A pergunta deixa de ser apenas:

“Por que continuo fazendo isso?”

e passa a incluir:

“O que acredito que aconteceria se eu fizesse diferente?”

É nessa resposta que muitas crenças começam a aparecer.

Crenças são convicções ou representações que consideramos verdadeiras e utilizamos para interpretar a nós mesmos, outras pessoas, situações e acontecimentos.

Elas ajudam a responder perguntas como:

  • Quem sou?
  • Do que sou capaz?
  • Como as pessoas funcionam?
  • O que posso esperar delas?
  • O que preciso fazer para ser aceito?
  • O que significa errar?
  • O que significa ter sucesso?
  • Como o mundo funciona?

Algumas crenças aparecem como afirmações:

“Consigo aprender coisas novas.”

Outras aparecem como regras:

“Se quero algo bem-feito, preciso fazer sozinho.”

Algumas estabelecem relações:

“Quanto mais trabalho, maior meu valor.”

Outras criam condições:

“Só posso me considerar bem-sucedido quando atingir determinado resultado.”

Essas crenças ajudam a organizar nossa experiência.

Não precisamos reaprender completamente o significado de cada situação que encontramos.

Construímos mapas mentais sobre como as coisas funcionam e utilizamos esses mapas para navegar pela vida.

Isso é necessário.

A questão aparece quando um mapa construído no passado continua sendo utilizado mesmo depois que o território mudou.

Crenças não são fatos

Considere:

“Cometi um erro na apresentação.”

Isso descreve um acontecimento que pode ser verificado.

Agora:

“Não sou bom apresentando.”

Já existe uma interpretação.

E:

“Nunca serei bom apresentando.”

A interpretação tornou-se uma previsão sobre o futuro.

Existe uma diferença importante entre:

AcontecimentoInterpretaçãoConclusão

Muitas vezes tratamos a conclusão como se fosse o próprio acontecimento.

Crenças não são necessariamente falsas

Trabalhar crenças não significa partir da ideia de que aquilo em que acreditamos está errado.

Algumas crenças representam adequadamente nossa experiência.

Outras possuem uma parte verdadeira.

Outras funcionam bem em determinado contexto e mal em outro.

Por isso, classificar crenças apenas como “positivas” ou “negativas” costuma ser pouco útil.

Perguntas melhores são:

  • Essa crença representa adequadamente a realidade?
  • Em quais situações?
  • Existem exceções?
  • Que comportamento ela produz?

Crenças não são pensamentos passageiros

Temos pensamentos constantemente.

Nem todo pensamento representa uma crença.

Uma crença tende a apresentar maior estabilidade e a influenciar repetidamente a interpretação de diferentes situações.

Um pensamento pode ser:

“Essa apresentação vai ser difícil.”

Uma crença subjacente pode ser:

“Quando não tenho certeza de que farei algo muito bem, é melhor não me expor.”

Crenças não são valores

Valores respondem principalmente:

“O que é importante para mim?”

Crenças respondem:

“O que considero verdadeiro?”

Posso valorizar autonomia e acreditar:

“Preciso da aprovação das pessoas antes de tomar decisões importantes.”

Posso valorizar família e acreditar:

“Um profissional comprometido precisa estar disponível o tempo inteiro.”

Posso valorizar crescimento e acreditar:

“Errar demonstra incompetência.”

Nesse momento, valores e crenças começam a produzir tensões.

Imagine que recebo uma tarefa difícil.

Posso pensar:

“Ainda não sei fazer isso.”

Essa interpretação pode favorecer:

CuriosidadeBusca de informaçãoTentativaFeedbackAprendizagem

Mas posso interpretar a mesma situação assim:

“Se eu não sei fazer isso, significa que não sou competente.”

Agora posso experimentar:

AmeaçaInsegurançaEvitaçãoPouca experimentação

O acontecimento não determina sozinho minha resposta.

Entre acontecimento e comportamento existe interpretação.

Uma representação simples seria:

SituaçãoInterpretaçãoEmoçãoComportamentoConsequência

E existe algo ainda mais importante:

a consequência pode posteriormente reforçar a crença inicial.

O ciclo de reforço das crenças

Considere:

“Não sou bom negociando.”

Essa crença pode produzir uma expectativa:

“Provavelmente não conseguirei conduzir bem essa negociação.”

Entro na conversa inseguro.

Evito perguntas difíceis.

Faço concessões cedo demais.

Não exploro suficientemente os interesses da outra parte.

O resultado fica abaixo do esperado.

Então concluo:

“Está vendo? Eu realmente não sei negociar.”

Temos um ciclo:

CrençaExpectativaComportamentoResultadoInterpretaçãoReforço da crença

O resultado parece provar a crença.

Mas existe uma questão importante:

parte daquele resultado pode ter sido influenciada pelos comportamentos que a própria crença ajudou a produzir.

Esse ciclo também pode operar de maneira construtiva.

Acreditar que determinada competência pode ser desenvolvida pode aumentar a disposição para praticar, procurar feedback, persistir e experimentar novas estratégias.

Isso não significa que acreditar produza automaticamente um resultado.

A relação mais cuidadosa é:

crenças podem influenciar expectativa, esforço, atenção, persistência e comportamento, e esses fatores podem alterar a probabilidade de determinados resultados.

Crenças como mapas

Uma forma útil de compreender crenças é pensar nelas como mapas.

Um mapa não é o território.

É uma representação do território.

Um bom mapa não precisa reproduzir cada detalhe da realidade. Precisa ser suficientemente preciso para ajudar na navegação.

Crenças funcionam de maneira semelhante.

Construímos representações sobre:

  • quem somos;
  • como as pessoas funcionam;
  • o que podemos fazer;
  • o que é perigoso;
  • o que é esperado;
  • o que precisamos evitar.

Esses mapas podem ter sido bastante úteis quando foram construídos.

O problema aparece quando:

o território muda, mas continuamos utilizando o mesmo mapa.

Talvez eu tenha aprendido muito cedo:

“Para ser reconhecido, preciso acertar.”

Em determinado ambiente, isso pode ter favorecido preparação, responsabilidade e alto desempenho.

Anos depois, a mesma regra pode produzir:

  • perfeccionismo;
  • medo de exposição;
  • dificuldade para experimentar;
  • resistência a delegar;
  • intolerância ao erro.

A crença não precisa ter surgido de maneira irracional.

Ela pode simplesmente ter se tornado desatualizada para algumas situações atuais.

De onde vêm nossas crenças

Nem todas as crenças são construídas da mesma maneira.

Podemos investigar pelo menos cinco fontes importantes.

Ambiente

Família, escola, cultura, grupos sociais e ambientes profissionais ajudam a construir referências sobre aquilo que consideramos normal, possível, correto ou esperado.

Podemos aprender:

  • “dinheiro é difícil de ganhar.”
  • “homem não demonstra fraqueza.”
  • “você precisa ter uma profissão segura.”
  • “bons profissionais trabalham até terminar.”

Nem sempre alguém precisa dizer isso diretamente.

Também aprendemos observando.

Experiências significativas

Um acontecimento pode produzir uma conclusão que permanece muito além da própria experiência.

Uma apresentação ruim pode transformar-se em:

“Não sou bom falando em público.”

Uma traição:

“Não se pode confiar nas pessoas.”

Um fracasso profissional:

“Não tenho perfil para empreender.”

O acontecimento foi real.

A questão é se a conclusão construída a partir dele continua válida para todas as situações futuras.

Conhecimento

Informações novas podem modificar crenças antigas.

Aprender algo, conhecer outras pessoas, estudar determinado assunto ou entrar em contato com outra realidade pode ampliar aquilo que consideramos possível.

Às vezes continuamos utilizando uma crença construída com informações que já não possuímos.

Por isso, uma pergunta importante é:

O que sei hoje que não sabia quando comecei a acreditar nisso?

Resultados anteriores

Experiências de sucesso e fracasso ajudam a construir expectativas.

Se tentei determinada atividade várias vezes e falhei, posso começar a acreditar:

“Não consigo fazer isso.”

Mas precisamos distinguir:

“não consegui até agora” de “sou incapaz de conseguir.”

Resultados anteriores são evidências importantes.

Mas não são necessariamente previsões definitivas.

Possibilidades futuras

Também revisamos crenças quando conseguimos considerar concretamente outras possibilidades.

Não se trata de imaginar que qualquer coisa acontecerá simplesmente porque desejamos.

Trata-se de perguntar:

“E se existir outra maneira de fazer isso?”

Essa pergunta pode gerar uma hipótese.

A hipótese pode gerar um comportamento diferente.

E o comportamento pode produzir uma nova experiência.

É a experiência, e não apenas a imaginação, que começa a oferecer novas evidências.

Crenças sobre si mesmo

Algumas crenças estão diretamente relacionadas à identidade:

  • “Sou competente.”
  • “Sou difícil.”
  • “Não sou criativo.”
  • “Não tenho disciplina.”
  • “Sou responsável por tudo.”
  • “Não consigo lidar com pressão.”

Quanto mais uma crença se aproxima da identidade, mais difícil pode parecer questioná-la.

Não estou apenas dizendo:

“Faço isso.”

Estou dizendo:

“Isso é quem sou.”

Crenças sobre outras pessoas

Também desenvolvemos expectativas sobre os outros:

  • “As pessoas só trabalham bem quando são cobradas.”
  • “Ninguém faz tão bem quanto eu.”
  • “Não se pode confiar nas pessoas.”
  • “Se eu demonstrar vulnerabilidade, vão se aproveitar.”

Essas crenças influenciam como tratamos as pessoas.

E nosso comportamento pode, em alguns casos, aumentar a probabilidade de produzir justamente aquilo que esperávamos encontrar.

Crenças sobre capacidade

Existe diferença entre:

“Não consigo fazer isso.” e “Ainda não aprendi a fazer isso.”

A segunda formulação não garante sucesso.

Mas preserva a possibilidade de desenvolvimento.

Pesquisas sobre mentalidade de crescimento¹ exploram justamente a importância das crenças relacionadas à possibilidade de desenvolver determinadas capacidades.

Isso não significa que esforço seja suficiente.

Aprendizagem também depende de estratégia, prática, feedback, oportunidade, recursos e características da própria tarefa.

Crenças como regras condicionais

Algumas crenças tornam-se mais fáceis de identificar quando assumem a estrutura:

“Se... então...”

  • “Se eu errar, então perderão a confiança em mim.”
  • “Se eu disser não, então a pessoa ficará decepcionada.”
  • “Se eu pedir ajuda, então vão pensar que sou incompetente.”
  • “Se eu não controlar, então algo dará errado.”

Uma pergunta poderosa é:

O que acredito que acontecerá se eu fizer diferente?

Muitas vezes a crença aparece na resposta.

A relação entre crenças, interpretações, emoções e comportamento possui sustentação importante em diferentes tradições da psicologia.

Na abordagem cognitiva, pensamentos automáticos, pressupostos e crenças ajudam a explicar como interpretamos experiências.

Essa leitura enfatiza que consequências emocionais não dependem exclusivamente dos acontecimentos, mas também das crenças utilizadas para interpretá-los.

O conceito de autoeficácia² se relaciona às crenças sobre a própria capacidade de organizar e executar ações necessárias para determinado desempenho.

Essas crenças podem influenciar:

  • escolha de tarefas;
  • esforço;
  • persistência;
  • resposta diante de dificuldades;
  • disposição para tentar novamente.

A psicologia cognitiva e social também documentou fenômenos relacionados à maneira como buscamos e interpretamos informações.

Um dos mais conhecidos é o viés de confirmação³.

Depois que acreditamos em alguma coisa, podemos perceber com maior facilidade informações compatíveis com nossa crença e dar menor peso àquilo que a contradiz.

Isso ajuda a compreender por que determinadas crenças podem permanecer estáveis mesmo diante de informações contrárias.

Existe uma distinção importante quando examinamos uma crença.

Podemos perguntar:

Essa crença é verdadeira?

Mas também:

O que essa crença produz em mim?

São perguntas diferentes.

Imagine:

“Preciso revisar tudo pessoalmente para garantir qualidade.”

Talvez exista alguma evidência que sustente essa crença.

Talvez erros realmente tenham ocorrido quando a pessoa não revisou.

Mas isso não encerra a investigação.

Precisamos perguntar:

  • Em todas as situações?
  • Com todas as pessoas?
  • Em qualquer tipo de trabalho?
  • Até que nível de detalhe?
  • Qual é o custo dessa regra?

Uma análise mais completa considera quatro perguntas:

  1. 1.É verdadeira? Que evidências sustentam essa crença?
  2. 2.Em que contexto? Onde ela representa adequadamente a realidade?
  3. 3.Até que ponto? Existem exceções ou condições?
  4. 4.O que produz? Que emoções, comportamentos e consequências aparecem quando ajo de acordo com ela?

Portanto:

evidência + contexto + consequência.

Uma crença útil, mas falsa, pode produzir problemas.

Uma crença verdadeira em determinado contexto, mas aplicada universalmente, também.

O objetivo não é simplesmente encontrar crenças “positivas”.

É construir interpretações mais precisas, contextualizadas e funcionais.

Imagine que acredito:

“Preciso estar disponível sempre.”

Quando recebo uma mensagem fora do horário, respondo imediatamente.

Nas férias, acompanho o trabalho.

Quando alguém pede ajuda, reorganizo minha agenda.

Com o tempo, posso sentir:

  • sobrecarga;
  • irritação;
  • dificuldade para descansar;
  • invasão de limites;
  • sensação de que todos dependem de mim.

Então concluo:

“As pessoas exigem demais.”

Isso pode ser parcialmente verdadeiro.

Mas existe outra pergunta:

Que crença torna tão difícil estabelecer limites?

Talvez:

“Se eu não estiver disponível, vou decepcionar as pessoas.”

Agora o problema mudou.

Não estou apenas discutindo agenda.

Estou investigando uma regra.

E posso finalmente perguntar:

O que realmente acontece quando estabeleço um limite adequado?

Essa pergunta abre espaço para experimentar.

Confundir interpretação com realidade

“Ele não respondeu porque não respeita meu trabalho.”

Parece uma descrição.

Mas contém uma interpretação sobre intenção.

O fato observável é:

“Ele ainda não respondeu.”

O significado precisa ser investigado.

Procurar apenas confirmação

Se acredito:

“Ninguém reconhece meu trabalho”

posso lembrar facilmente das ocasiões em que não fui reconhecido e dar pouca atenção às situações contrárias.

Uma pergunta útil é:

Que evidência me faria revisar essa crença?

Transformar experiências em regras universais

“Uma pessoa traiu minha confiança.”

pode transformar-se em:

“Não posso confiar em ninguém.”

Um acontecimento verdadeiro produziu uma conclusão muito mais ampla do que a própria evidência permite.

Substituir crenças por frases positivas

Trocar:

“Não consigo falar em público.”

por

“Sou um excelente comunicador.”

não produz necessariamente mudança.

Uma alternativa mais realista:

“Tenho dificuldade atualmente, mas comunicação é uma competência que posso desenvolver com preparação, prática e feedback.”

Menos espetacular.

Mais testável.

Procurar apenas a origem

Compreender de onde veio determinada crença pode ser útil.

Mas descobrir a origem não garante mudança.

Também precisamos perguntar:

Como essa crença funciona hoje?

Tentar eliminar todas as crenças desconfortáveis

Algumas crenças contêm informações importantes sobre riscos reais.

Desenvolvimento não significa tornar-se artificialmente otimista.

Significa aumentar a qualidade da interpretação.

Durante uma semana, observe situações que produzam uma reação emocional significativa.

  • Irritação.
  • Medo.
  • Ansiedade.
  • Culpa.
  • Frustração.
  • Vergonha.
  • Insegurança.

Quando perceber uma delas, registre:

1. O que aconteceu?

Descreva apenas aquilo que poderia ser observado.

2. O que pensei que aquilo significava?

Registre sua interpretação.

3. O que essa interpretação revela que acredito?

Procure a regra existente por trás do pensamento.

4. O que fiz?

Observe seu comportamento.

5. O que aconteceu depois?

Registre a consequência.

Exemplo:

Acontecimento: meu gestor pediu para revisar o trabalho.

Interpretação: ele não confia na minha capacidade.

Possível crença: se alguém revisa meu trabalho, significa que considera meu desempenho insuficiente.

Comportamento: comecei a justificar minhas decisões antes mesmo de receber o feedback.

Consequência: a conversa tornou-se defensiva.

Não tente modificar imediatamente a crença.

Primeiro aprenda a percebê-la funcionando.

Sobre mim

Perguntas de reflexão

  1. O que acredito sobre minha capacidade?
  2. Que característica trato como impossível de mudar?
  3. O que acredito precisar demonstrar para ter valor?
  4. Que erro considero particularmente difícil admitir?
  5. O que acredito que as pessoas esperam de mim?

Sobre minhas relações

Perguntas de reflexão

  1. O que acredito que acontecerá se eu disser não?
  2. O que acredito sobre confiar nas pessoas?
  3. O que significa para mim pedir ajuda?
  4. O que interpreto quando alguém discorda de mim?
  5. O que acredito precisar fazer para ser aceito?

Sobre desempenho

Perguntas de reflexão

  1. O que significa fracassar?
  2. O que significa ter sucesso?
  3. O que acredito sobre pessoas que cometem erros?
  4. O que acredito precisar fazer para ser reconhecido?
  5. O que significa para mim apresentar um desempenho apenas satisfatório?

Sobre a origem

Perguntas de reflexão

  1. Onde posso ter aprendido essas ideias?
  2. Que mensagens eram frequentes no ambiente em que cresci?
  3. Que experiência parece ter fortalecido determinada crença?
  4. Que resultados anteriores utilizo como prova?
  5. O que sei hoje que não sabia quando comecei a acreditar nisso?

Sobre desenvolvimento

Perguntas de reflexão

  1. Que crença está limitando uma escolha importante?
  2. Que evidência existe contra sua forma mais absoluta?
  3. Em quais situações ela não se confirma?
  4. O que eu tentaria fazer se essa crença fosse menos absoluta?
  5. Que pequena experiência poderia produzir uma nova evidência?

Essas perguntas não constituem diagnóstico psicológico.

São instrumentos de investigação pessoal estruturada.

“Toda crença limitante é falsa”

Não.

Uma crença pode conter elementos verdadeiros e ainda assim ser excessivamente ampla.

“Algumas pessoas quebraram minha confiança” é diferente de “Não se pode confiar em ninguém.”

“Basta mudar minha crença para mudar minha vida”

Não.

Crenças são uma das variáveis envolvidas no comportamento.

Competências, recursos, contexto, oportunidades, relações e condições objetivas também importam.

“Se acreditar suficientemente, consigo qualquer coisa”

Não.

Confiança pode influenciar disposição para agir e persistir.

Não elimina limitações técnicas, físicas, contextuais ou probabilísticas.

“Neuroplasticidade significa que posso reprogramar qualquer crença”

Neuroplasticidade⁴ descreve a capacidade do sistema nervoso de apresentar mudanças relacionadas à experiência, aprendizagem, desenvolvimento e outras condições.

Isso não significa que qualquer padrão psicológico possa ser simplesmente “reprogramado” por uma técnica rápida.

“Pensamento positivo é o objetivo”

Não.

O objetivo é melhorar a qualidade da interpretação.

Às vezes uma conclusão realista será desconfortável.

Ainda assim pode ser mais útil do que uma conclusão agradável, porém incorreta.

Até aqui investigamos três elementos:

  • Quem acredito que sou.
  • O que considero importante.
  • O que acredito ser verdadeiro.

Mas identidade, valores e crenças não permanecem apenas no pensamento.

Eles aparecem em tempo real.

Uma crítica acontece.

Uma emoção surge.

Uma interpretação aparece.

Respondemos.

Depois justificamos nossa resposta.

O próximo movimento é aprender a observar esse processo enquanto ele acontece.

A pergunta deixa de ser apenas:

“No que acredito?”

e passa a ser:

“Consigo perceber meus pensamentos, emoções e comportamentos enquanto estão acontecendo?”

Próxima etapa, Princípios: transformar valores e crenças em critérios de ação.
  • Mentalidade de crescimento: crença relacionada à possibilidade de desenvolvimento de capacidades. Não implica desenvolvimento ilimitado nem significa que esforço isolado seja suficiente.
  • Autoeficácia: crença do indivíduo em sua capacidade de organizar e executar ações necessárias para determinado desempenho.
  • Viés de confirmação: tendência de buscar, interpretar ou valorizar informações de maneira compatível com crenças ou hipóteses previamente existentes.
  • Neuroplasticidade: capacidade do sistema nervoso de modificar aspectos de sua organização ou funcionamento em resposta ao desenvolvimento, experiência, aprendizagem, lesões e outras condições.
  • Crença: convicção ou representação considerada verdadeira e utilizada para interpretar a própria pessoa, outras pessoas, acontecimentos ou relações.
  • Pensamento automático: na abordagem cognitiva, pensamento ou interpretação que surge rapidamente diante de uma situação, muitas vezes com pouca reflexão deliberada.

Mentalidade de crescimento

crença relacionada à possibilidade de desenvolvimento de capacidades. Não implica desenvolvimento ilimitado nem significa que esforço isolado seja suficiente.

Autoeficácia

crença do indivíduo em sua capacidade de organizar e executar ações necessárias para determinado desempenho.

Viés de confirmação

tendência de buscar, interpretar ou valorizar informações de maneira compatível com crenças ou hipóteses previamente existentes.

Neuroplasticidade

capacidade do sistema nervoso de modificar aspectos de sua organização ou funcionamento em resposta ao desenvolvimento, experiência, aprendizagem, lesões e outras condições.

Crença

convicção ou representação considerada verdadeira e utilizada para interpretar a própria pessoa, outras pessoas, acontecimentos ou relações.

Pensamento automático

na abordagem cognitiva, pensamento ou interpretação que surge rapidamente diante de uma situação, muitas vezes com pouca reflexão deliberada.

  1. BANDURA, Albert. Self-efficacy: toward a unifying theory of behavioral change. Psychological Review, v. 84, n. 2, p. 191-215, 1977.
  2. BANDURA, Albert. Self-efficacy: the exercise of control. New York: W. H. Freeman, 1997.
  3. BECK, Aaron T. Cognitive therapy and the emotional disorders. New York: International Universities Press, 1976.
  4. BECK, Judith S. Cognitive behavior therapy: basics and beyond. 3. ed. New York: Guilford Press, 2020.
  5. DWECK, Carol S. Mindset: the new psychology of success. New York: Random House, 2006.
  6. ELLIS, Albert. Reason and emotion in psychotherapy. New York: Lyle Stuart, 1962.
  7. NICKERSON, Raymond S. Confirmation bias: a ubiquitous phenomenon in many guises. Review of General Psychology, v. 2, n. 2, p. 175-220, 1998.
  8. ROBBINS, Anthony. Unlimited power: the new science of personal achievement. New York: Simon & Schuster, 1986.

Próximo item de Identidade

A próxima leitura da trilha de Identidade é Princípios.

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